“Não vamos desistir!”

Angola /
26 Abr 2019 / 16:36 H.
António Pedro

A expressão não é do Vanguarda. É do presidente do maior partido político angolano, fazendo fé a luta contra à corrupção, impunidade e bajulação. Os discursos que fazem referência ao combate cerrado contra este fenómeno já não são poucos. Uns pedem mais acção, no seio do partido, outros querem ponderação com receio de ver militantes que muito terão contribuído para o crescimento do partido, mas arrolados em promiscuidade.

O lema agora é que não haverá recuo, doa a quem doer. Há uma semana que o próprio partido no poder voltou a dar ênfase ao assunto, durante o lançamento da sua campanha de moralização da sociedade, ao assumir que não haverá tréguas, que a luta em curso não foi uma simples promessa eleitoral ou um artifício para lograr os votos dos eleitores, mas uma acção que vai ser materializada. São palavras da vice-presidente do partido dos camaradas. Se as promessas feitas em campanha eleitoral o vento não as pode levar, então os camaradas estão diante de um cenário bastante demolidor.

Um influente membro do Bureau Político do partido maioriatário disse ao Vanguarda, nessa semana, que tempos mais díficies, mais complexos, estão a chegar e só não se sabe explicar se alguns membros influentes do partido estão preparados para enfrentar a fase seguinte, que será dura demais. Já questionamos mais de uma vez, se o MPLA está preparado para a fase que se propõe, de limpar as purgas que durante décadas arrastaram o partido para a actual situação, contaminando toda a sociedade. Afinal, o que restará de capital político no partido. Se o próprio partido diz é para avançar, então começa a haver a modernização da política. Está claro, é isso mesmo! Achamos que é um outro processo que está em marcha, o da pura e dura modernização da política. Não será com muitos dos políticos que o partido tem hoje que conseguirá lograr êxitos para levar o País a bom porto.

O modelo do Partido Comunista da China aqui se encaixa. O país asiático não temeu fazer ruptura com a corrupção e apostou em jovens políticos que valem a pena, como uma espécie de reserva para os próximos dez anos. Está claro, o MPLA está a preparar políticos do futuro e vai limpar a casa. Haja coragem!