09 Ago 2019 / 16:14 H.
António Pedro

Repensar a banca ao serviço da soberania

Quando um país não tem uma banca nacional forte e os maiores players do sector são de matriz estrangeira, há um iminente risco de soberania.

Quando os grandes auditores externos da própria banca de um país são instituições estrangeiras, há outro elevado risco de soberania. É preciso repensar a banca. Nos EUA, Espanha, França, África do Sul acautelaram-se deste embaraço.

Em Portugal houve o cuidado de serem consultoras portuguesas de renome, com marcas internacionais ou não, com quadros portugueses do topo a base, a auditar a própria a banca.

Os serviços de informação em Angola precisam mudar o paradigma, à semelhança dos EUA onde se faz rastreio sério de quem deve e não deve auditar a banca.

Lidar com informações sigilosas do sistema financeiro é o suficiente para colocar um país de rastos mesmo com investimento estrangeiro massivo a entrar no referido país.

Os EUA, a África Sul, a Itália, o Egipto, a Nigéria, não aceitam entregar a sua soberania financeira aos estrangeiros. O mercado de capitais em Angola é outro ponto sensível.

Não se pode permitir que consultoras estrangeiras tomem conta da informação sigilosa remetendo toda informação para a empresa-matriz sediada no estrangeiro, com argumento de tratamento de informação.

No fim do dia, a informação com segredos de soberania vai parar às mãos de grandes grupos lobistas especialistas em desestabilizar economicamente países em vias de desenvolvimento.

O País necessita de uma política bancária consistente que alinhe interesses privados com sociais. A contribuição do sector bancário ao país tem sido questionada nos últimos anos.

Daí que os empresários unidos pediram recentemente ao Presidente da República a criação de um “Banco Regional Forte” com capital acima de mil milhões de dólares, para a realização de negócios a nível nacional e regional sem ter de recorrer a fundos externos.

Se a banca olhasse para o empresariado, não haveria margem para um pedido do género. A protecção da informação financeira de qualquer país funciona como um escudo. É uma regra universal.

Hoje, quem faz gestão de informação controla o mundo ou parte. Se no médio e longo prazo Angola não levar o assunto a sério, não nos assustemos com as consequências do fenómeno.