Quanto custa um erro político

16 Mai 2019 / 14:54 H.
António Pedro

Há erros na vida profissional que custam o prestígio conquistado durante anos de trabalho árduo e nobre. Erros que cegam quem os comete e custa admiti-los. São poucos os casos de hombridade na nossa realidade.

Se Alfredo Mingas “Panda” teve a coragem de pedir demissão perante um incidente provocado pelo próprio que chocou a sociedade, a julgar pela função que desempenhava de comandante-geral da Polícia Nacional; Se Gavin Williamson, então ministro da Defesa britânico, pediu demissão devido a uma fuga de informação relacionada com o grupo de telecomunicações Huawei por ter perdido a confiança na sua capacidade de servir no papel de ministro e como membro do governo com a divulgação não autorizada, por um renomado jornal, de informações de uma reunião do Conselho de Segurança Nacional composto por ministros e altos funcionários de segurança;

Se Carlos Martins, então secretário de Estado do Ambiente do governo do 1.º ministro António Costa, pediu a demissão depois de se tornar público que tinha nomeado um primo como adjunto para o seu gabinete, e afastou-se do governo para não prejudicar a imagem do primeiro-ministro e do Partido Socialista; convém realçar que para a nossa realidade não aconteceu de forma similar com José Carvalho da Rocha e Carlos Saturnino, ministro das Telecomunicações e então presidente da Sonangol, respectivamente, e tantos outros já exonerados e alguns em lista de espera, porque é fraca a percepção que se possui do custo político de decisões erradas que tomam em nome de quem confiou-lhes a responsabilidade de gestão de activos humanos, financeiros e materiais em nome do Estado. Pior que pode acontecer a um político é perder popularidade, credibilidade, perante o eleitorado que confiou-lhe o poder e a capacidade de governá-los. Não há nada mais nobre que receber a confiança de pessoas para gerir suas vidas. Todo gestor corporativo, todo político, precisa apegar-se a este conceito na prática e fazer honrar o voto de confiança depositado a sua pessoa. Quando um país como nosso muito conhecido na arena internacional como um grande produtor africano de petróleo, mas sem refinarias e a gastar milhares de milhões de dólares por ano com importação de combustíveis, verbas que no curto prazo cobrem o custo de pelo menos uma refinaria, é para questionar se os gestores e os políticos valorizam o voto de confiança do povo.