Pobre Malanje

24 Mai 2019 / 17:36 H.
António Pedro

Presidente João Lourenço visitou Malanje nesta semana. A região, em termos de correntes sociais, está há muito apegada ideologicamente a uma raiz política muito forte que é o MPLA.

Os resultados de eleições gerais de 2008, 2012 e 2017 confirmam esta realidade política que afecta os valores modernos das alternâncias. Contudo, a situação económico-financeira e social da província pode deitar por terra este ganho político partidário e futuramente - digamos, eleições autárquicas 2020 e, também, eleições gerais em 2022 - os resultados nas urnas poderem configurar um sentido de vontades mais equilibradas. É um problema geral do País, mas afecta em grande medida o tecido empresarial, leva para números de risco os índices de emprego e atrasa a regeneração económica. O Estado não tem sido o motor da economia local e nem as iniciativas privadas têm colmatado essa ausência que resulta dos factores de austeridade.

Nesse quesito JL aparece como bom aluno, parece indicarem os elogios do FMI. De uma região produtora (agrícola), no tempo colonial, transformou-se em região consumidora até de bens que podem ser produzidos nas suas zonas aráveis e com abundância de água. Não nos podemos esquecer que no tempo colonial alimentava as indústrias têxteis e o turismo era uma vocação que despontava tendo como ícones as Quedas de Água de Kalandula e as reservas da Palanca Preta. A província tem potencial para se transformar num enorme celeiro agrícola, num centro logístico das regiões distantes do leste do país, mas infelizmente as políticas têm sido erráticas. Na região têm sido ensaiados os megas projectos como o da produção de açúcar, mas que não impulsionam o seu tecido social, e, infelizmente essa inércia afecta também o ressurgir do turismo.

Acredita-se que o objectivo do Presidente Lourenço é devolver a Malanje a sua capacidade produtiva e com isto permitir o crescimento da economia na região, o que poderá ser concretizado se não fracassar o Plano Integrado de Intervenção apreciado em reunião com seus ministros e governadores. A reacção do povo de Malanje à visita do PR aparenta ter medido pela positiva o barómetro da aceitação do seu governo e do MPLA. Porém, os líderes da sociedade civil, nas audiências “fechadas”, todos tão ávidos em transmitir ao Presidente o verdadeiro sentimento e estado de Malanje, falaram abertamente dos problemas que o governador nunca os irá reportar a João Lourenço. Muito mais que o jogo de números, programas sociais previstos, as desilusões e críticas podem tocar de forma corrosiva a governação, o que exige do PR uma atitude de ruptura que mude o rumo.