O que dizem os membros do CC ao presidente

10 Jun 2019 / 16:51 H.
António Pedro

Se a reunião desta sexta-feira no Complexo Turístico Futungo 2 não for inovadora, não evidenciar novidades para a arena política do País, haverá pouca esperança sobre o que fará o partido nos próximos tempos.

Os angolanos esperam muito do partido que sustenta o governo e João Lourenço é o homem de quem se espera. Aquando do VI Congresso Extraordinário, dissemos que o partido que dali resultaria ditaria o País que teríamos. Dissemos também que o País estava, mais uma vez, entre a crise e a oportunidade e um dia deixaria de haver desculpas. Esse há muito que chegou.

Há muita cobrança por soluções nos dias que correm. Se a afirmação política do partido e seu líder aconteceu desde as eleições passadas, a reforma estrutural do modelo económico, a reforma tributária e a reforma do sistema financeiro está por acontecer. Aqui reside um enorme calcanhar de Aquiles. Desistir é um erro estratégico e avançar exige visão e foco para dar às populações as mínimas condições sociais mesmo em contexto de crise. Hoje o MPLA, durante a 5.ª Sessão Extraordinária, tem realmente uma ampla oportunidade para debater assuntos sérios da vida do País, sem rodeios, sem gaguejar e de forma transparente.

Se o partido dos camaradas não acompanhar a visão do seu lider de mudança a 180 graus, o País vai continuar a aguardar por reformas de fundo. O presidente do partido precisa falar para seus liderados com cargos de ministro no governo, e a tutelarem empresas públicas não rentáveis, para seguirem o exemplo da ministra do Turismo. Entregou ao instituto que gere activos do Estado hotéis do Estado que nunca deram lucros. Isso é um dos atalhos que leva ao caminho que ajuda a emagrecer a máquina administrativa do Estado. Os polítólogos há muito que alertam que os desafios da reforma estrutural passam por uma redução do gasto público. Os membros do Comité Central e empresários devem aproveitar falar ao presidente do partido sobre os contornos difíceis para reaverem a dívida que o Estado contraiu para com suas empresas e a dificuldade de manterem-se no mercado. Hoje os camaradas precisam demonstrar que alguma coisa vai mudar para melhor na vida dos angolanos no aspecto prático. Até aqui houve conquistas políticas, faltam as económicas e as sociais.