Influenciar investidores com a política

A presença do Presidente angolano no Conselho de Relações Exteriores dos EUA (CFR, na sigla inglesa), nesta semana, em Nova Iorque, para explicar a investidores as reformas em curso no País, é uma acção estratégica. Os resultados positivos desta investida diplomática podem surgir no curto prazo se as reformas mencionadas não recuarem.

27 Set 2019 / 13:10 H.
António Pedro

A CFR é uma entidade voltada para a política internacional, dedicada a aumentar a compreensão norte-americana sobre o mundo e contribuir com ideias para a política internacional dos EUA. Na prática, a CFR tem a capacidade de influenciar investidores através de estudos que elabora com certa frequência sobre a política e os mercados onde são direccionados investimentos extra norte-americano.

Ao explicar para investidores dos EUA que as reformas em curso no País visam atrair investimentos nos sectores das indústrias, telecomunicações, agricultura, aviação civil, banca e instituições financeiras, energia, transportes e infraestruturas, João Lourenço dá um sinal de que houve e haverá melhorias no ambiente de negócios.

A afirmação segundo a qual as reformas têm por objectivo adequar o País aos princípios sobre os quais se fundam o funcionamento dos Estados modernos, para tornar a economia mais competitiva e atractiva ao investimento privado, tem de ser concretizado para que a CFR possa levar uma mensagem sólida e com segurança, aos grandes investidores pelo mundo, de que Angola é um destino certo para aterragem de investimentos e respectiva protecção política e jurídica, principalmente.

Se por um lado as reformas são difíceis, mas necessárias, mas vale um sacrifício para se devolver dignidade aos angolanos. Contudo, a economia precisa de dar mais sinais concretos uma vez que no fim do dia as populações socialmente vulneráveis só querem saber da refeição à mesa. O Executivo conquistou o FMI e o Banco Mundial e demais instituições financeiras internacionais credíveis, no entanto é preciso conquistar também os mais vulneráveis que se aguentam com uma refeição por dia. A solução passa, sim, pelo aumento de muitos investimentos nacionais e estrangeiros no sector produtivo. Continuar com as reformas é dar credibilidade do País a influentes investidores.