Estabilidade política

Os grupos com larga actividade subversiva, em contexto de guerrilha ou não, não são claros nos seus objectivos políticos, quando se coloca a questão dos fundamentos das acções. Este aspecto tem levado muitos analistas em matéria militar e de inteligência a notar que cumprem agendas de grupos empenhados em desestabilizar para saquearem as riquezas contidas no subsolo da RDC.

Luanda /
23 Ago 2019 / 10:37 H.
António Pedro

Do ponto de vista político, nota-se uma grande capacidade de mobilização de recursos de países como Angola para que, através do Ruanda e do Uganda, pela dinâmica regional, possam impedir o apoio logístico, no caso, e retirar capacidade operacional a tais grupos. O Memorando de Entendimento entre Kigali e Kampala, alcançado em Luanda, é apenas uma demonstração dessa capacidade político-diplomática.

Quando Félix Tshisekedi esteve em Luanda no início do ano corrente, em busca de apoio diplomático no domínio da defesa e segurança, principalmente, e João Lourenço abriu-lhe as portas do Palácio da Cidade Alta, prometendo a consolidação da cooperação bilateral, era previsível que a questão na região dos Grandes Lagos fosse crucial do referido momento aos dias que correm. A gestão conjunta da segurança dasfronteiras comuns, o combate ao tráfico de seres humanos, imigração ilegal, exploração ilícita pilhagem de recursos naturais, proliferação ilegal de armas e prevenção e combate das actividades criminosas transnacionais e terrorismo, foram sempre pontos de agenda para os Grandes Lagos. É nestes detalhes que países como RDC, Ruanda, Uganda, República Centro Africana, Sudão e Sudão do Sul demonstram fragilidades em matéria de defesa e segurança para manter a estabilidade na região. As primeiras tentativas de Félix Tshisekedi em reunir Kigali e Kampala redundaram em fracasso. Aliás o primeiro encontro sem Yoweri Museveni foi preocupante, obrigando ao reforço de uma maior interacção entre Angola, Congo, RDC, Ruanda, para convencer Uganda a aceitar uma mediação em prol da estabilidade na região e consolidação de intenções de governos dos países da região voltadas para o comércio regional. Parafraseando Idriss Déby Itno, presidente do Tchade, sem estabilidade política não haverá desenvolvimento na região, em particular nos países mais afectados como RDC, RCA, Sudão, etc.

Venceu a diplomacia, mas é preciso consolidar este ganho para se voltar aos cenários ultrapassados de conflitos entre países vizinhos. Foi a instabilidade político-militar na RDC que remeteu 23 mil refugiados para o território angolano e as consequências são sempre nefastas.