Cruzada dos camaradas contra a seca!

É um problema que já levou embaixadores de países da SADC acreditados em Angola, a questionarem, em meios apropriados, o que falta para Angola debelar um problema que até o Zimbabué enfrentou e conseguiu soluções por décadas com poucos recursos financeiros.

Angola /
04 Out 2019 / 21:45 H.
António Pedro

A seca do Sul de Angola é motivo de preocupação no seio do MPLA, tendo o Bureau Político, na reunião de 02 de Outubro de 2019, recomendado a análise exaustiva deste fenómeno, pois será o tema de discussão na próxima sessão ordinária do Comité Central.

Os camaradas preparam-se para dar resposta às críticas vindas dos partidos da oposição, da sociedade civil e das organizações internacionais, tendo em conta a precariedade das condições a que estão submetidas as populações da respectiva região do País, face ao modelo de governação anterior que hoje se quer corrigir e melhorar os aspectos positivos.

Ao fazer da seca um dos temas de maior importância para a próxima reunião do Comité Central, o MPLA dá voz aos anseios de muitos militantes que querem ver o órgão deliberativo máximo do partido, que estabelece a linha de orientação política do próprio partido, a discutir os temas mais relevantes que afectam a vida dos angolanos.

O partido no poder pretende mudar o curso dos acontecimentos no Sul de Angola, mediante a execução de projectos estruturantes. Contudo, há aqui uma questão de fundo que é a avaliação das políticas públicas. Esta, por sua vez, impõe–nos necessariamente o envolvimento das instituições de ensino e investigação, analisando os desafios que ainda se prendem hoje, com a seca no Cunene, principalmente, sem descurar as reformas fiscais, problemas com a educação e a saúde.

A seca assola mais de um milhão de pessoas, nas províncias do Cunene, Namibe e Cuando Cubango. É um problema que já levou embaixadores de países da SADC acreditados em Angola, a questionarem, em meios apropriados, o que falta para Angola debelar um problema que até o Zimbabué enfrentou e conseguiu soluções por décadas com poucos recursos financeiros. A seca será a cruzada dos camaradas no Sul de Angola.

A estiagem tem posto à prova o Executivo e em gesto de lamentação, Salvador Rodrigues, secretário de Estado do Interior para o Asseguramento Técnico, ressaltou a falta de contribuição de vários ministérios, na execução de actos para debelar a seca. O governante manifestou-se numa reunião de secretários de Estado e representantes de diferentes instituições, onde se analisou o Quadro de Recuperação Pós-Seca 2018/2022. A prática é o critério da verdade.

*Director do Jornal Vanguarda