Qual é o conceito de imersão na comunicação política?

Temos visto alguns exemplos, de preparação em alguns países do continente africano ou mesmo no panorama dos debates políticos mundiais. Falta, entretanto, alguma arte na comunicação política em Angola, na altura de enviar notícias ao candidato ou actor político ou sobre o mesmo.

21 Mai 2019 / 11:26 H.
Edgar Avelino

Na minha busca linear da informação, de acordo com os professores Thomas F.Maruszewski e Robert J. Sternberg “O conceito de imersão vem da psicologia cognitiva e relaciona-se a uma situação cognitiva, na qual um estímulo prévio modifica a propriedade e a facilidade de reconhecimento ou processamento de um estímulo posterior” T. Maruszewski, Psicologia da cognição, Gdańsk 2001; R.J. Sternberg, Psicologia cognitiva, Warszawa 2001.

“Foi introduzido na comunicação política no final da década de 1980 em obra agora clássica, de Shanto Iyengar e Donald R. Kinder” S. Iyengar, D.R. Kinder, News that Matters. Television and American Opinion, Chicago 1987.1.

A Imersão foi definida como critérios de comunicação e padrões utilizados pelos destinatários para avaliar a realidade política, que são questões mais acessíveis na mídia (mais frequentemente e intensamente relatados).

Analisando as relações entre mídia e política, os autores chegaram à conclusão de que as notícias televisivas importam na percepção e julgamento da realidade política e, embora através de uma perspectiva histórica, não era uma conclusão reveladora, provou em última análise, do que dependia essa influência e o seu significado.

Referindo-se aos pressupostos apresentados na introdução e com base nos pensamentos de análises teóricas actuais e descobertas empíricas, deve-se concluir que o conceito de IMERSÃO nos conteúdos midíaticos, ocorre nas mentes daqueles que recebem as mensagens. Não apenas descreve o mecanismo de moldar as atitudes políticas - através da definição de critérios para avaliar candidatos, actores políticos e / ou questões políticas, mas também sugere, uma maneira eficiente de influenciar essas atitudes.

Os critérios são formados determinando o conteúdo da mensagem e dando-lhe uma certa forma, que é o domínio dos remetentes de mídia (selecção e processamento de informações).

É possível influenciar a avaliação de objectos políticos, que poderiam ser usados com parcialidade partidária ou acontecer de maneira acidental.

Por exemplo, expondo uma questão devido à sua alta atractividade da mídia, também pode ter “efeitos políticos colaterais”, deixando uma impressão errônea, quando se trata de uma questão pública e não partidária.

A essência dos efeitos primários, pode mudar uma atitude, como consequência da mudança dos critérios de avaliação de uma pessoa ou situação política, o que explica a aparente contradição entre a dimensão cognitiva e persuasiva da imersão.

Devido ao significado e valor explicativo dos mecanismos de funcionamento dos meios de comunicação massiva, parece justificar o uso do conceito de “imersão” de forma mais ampla, em pesquisas empíricas sobre a influência da mídia noticiosa sobre o comportamento eleitoral da circunstância angolana.

“A alocação de atenção afecta a escolha de problemas, a escolha da caracterização do problema e a escolha de soluções. A atenção é um factor gravemente restritivo na política - um gargalo por meio do qual todos os assuntos precisam ser espremidos.

Como conseqüência, a alocação de atenção deve ser desproporcional. Isso levanta uma questão importante: como os problemas no ambiente se traduzem em respostas de formulação de políticas?” B.D. Jones, F.R. Baumgartner, The Politics of Attention. How Government Prioritizes Problems, Chicago 2005, p. 208.

Na comunicação política, a análise preliminar foca nos critérios usados pelo público na avaliação de objectos políticos e da realidade. O conceito de imersão sugere que as questões mais acessíveis nas transmissões de mídia se tornem os padrões de avaliação da realidade política. Volto em breve!