Batalha de Kangamba (fim)

Quando continuidade e conclusão a série de três artigos sobre a Batalha de Kangamba, a então República Popular de Angola acabava de incluir na sua agenda uma política de abertura ao diálogo com a UNITA, para encontrar solução a questão da África austral. Logo no dia 30 de Julho de 1983, o ministro da Defesa coronel Pedro Maria Tonha informava manobras perigosas da SADF ao apoiar as FALA no Moxico.

03 Set 2019 / 18:00 H.
Patrício Batsikama

O general Constand Viljoen da SADF negou essas acusações, mas realçou de bom tom as ofensivas da FALA com uma precisão que compromete a sua involvência . O Sir James Scott-Hopkins afirmou essas ocorrências e manifestava-se inquieto sobre a segurança dos ingleses em Angola.

Cerca de 3 mil guerrilheiros da UNITA assessorados por SADF atacavam desde a madrugada do dia 2/8/1983 cerca de 600 militares da FAPLA da 32ª Brigada, 84 internacionalistas cubanos e 102 homens enviado a partir de Lwena como reforço.

Estes bravos militares aguentaram toda artilharia da UNITA e bombardeamento da SADF durante oito dias, sem alimentos nem água. O resultado foi:

(i) 78 mortos, entre os quais 18 cubanos;

(ii) 204 feridos, dos quais 27 cubanos. No oitavo dia, as duas melhores brigadas da UNITA da época meteram-se em fuga e deixou suas armas, munições.

Para uma explicação complementar, dissemos que na segunda-feira do dia 1 de Agosto de 1983 pelas 9h00, o embaixador cubano Puente Ferro, o Chefe do Estado-maior da Missão militar cubana em Angola, coronel Amels Escalante, o chefe da Missão militar Soviética, general Konstantin e o ministro da Defesa o coronel França Ndalu. Todos reuniram com o Presidente José Eduardo dos Santos para tratar da invasão em Kangamba, Moxico. Inicialmente, Fidel Castro terá orientado a saída dos cubanos e aconselhava que se fizesse o mesmo para os angolanos: havia interceptado um plano de ataque das FALA em Kangamba. Mas o general soviético Konstantin explicou as grandes possibilidades de ter êxito, realçando a recém-chegada de um avião IL-76, contendo misseis C-5. O Ministro França Ndalu realçou as dificuldades em termos de tropas preparadas contras esses ataques-surpresa da UNITA num território vasto e expressivamente não habitado (Moxico). O general de divisão cubano Cintra Frías colocou a necessidade que as FAPLA tinham de evacuar as aldeias de Kangamba e Tampwe com propósito de reforça Lwena, Lucusse e Kuito/Bié. Logo na madrugada do dia 2 de Agosto, as FALA lançaram ofensiva.

Durante os oito dias, o comunicado do Governo faz saber que 1100 rebeldes (entenda FALA) foram mortos. Na nossa posse, os dados indicam quatro registos diferentes:

(i) 879;

(ii) 947;

(iii) 921;

(iv) 882.

No comunicado, o Governo angolano anuncia que perdeu 53 integrantes das FAPLA, e que a cidade de Kangamba não estava totalmente destruída. Com a entrada em cena dos cubanos, essa Batalha foi ganha pelas FAPLA.

Os dados hoje indicam claramente que a UNITA perdeu um número considerável