Revitalizar a nossa cultura em 14 pontos

24 Abr 2019 / 22:02 H.
Adriano Botelho de Vasconcelos*

A discussão a volta da revitalização do sector cultural é ampla e precisa renascer.

É preciso

1) criar a rede nacional de bibliotecas que incluiria a rede municipal e provincial, usando projectos arquitectónicos que potenciassem os nossos materiais e cujas linhas sejam os primeiros rasgos da identidade estética moderna;

2) Criar a rede de auditórios para as práticas da dramaturgia, danças, espectáculos electrónicos e de estúdios de produção musical, audiovisuais, através de estruturas edificadas de raiz ou pela via de contratos de aluguéis de residências e pavilhões degradados;

3) Estabelecer o regime de residência de renomados criadores, engenheiros de som, produtores que enriqueçam as obras no domínio da pintura, escultura, da dança moderna e da pasteurização da música;

4) Criar a rede de salas de exposição para as artes plásticas e museus temáticos usando o potencial da oferta imobiliária;

5) Institucionalizar as “Bolsas de criação” para o romance, poesia e ensaios e plano de edição de conteúdos que cubram 50% do ímpeto nacional de criação e dos ensaios sociais que enriqueçam as correntes de pensamento;

6) Atribuir às cidades um “Fundo de animação cultural”, com actividades de rua, circenses, dramatúrgicas e de promoção de festivais locais numa relação dos cidadãos com as ruas;

7) Terminar com o comércio ilegal, vulgo pirataria de discos, vídeos e através de edições com selos oficiais, promover a edição dos títulos mais ouvidos e desejados pelas audiências das rádios e das Televisões;

8) Estabelecer os incentivos fiscais, tanto a pessoas físicas como pessoas jurídicas, para que destinem parte de seus impostos de renda aos projectos culturais acima referidos, escolhas aprovadas pelo Ministério da Cultura;

9) Atribuir o “Subsídio ao papel” para que as edições das revistas e dos jornais privados aumentem o número de páginas com notícias e assuntos culturais;

10) Atribuir o “Cheque Cultura” por ano a cerca de um milhão de jovens que queiram ver cinema, teatro ou optem por comprar livros de poesia, ficção e ou de visita aos museus;

11) Criar a rede de “Cidades Digitais da Cultura”, que permita que as principais praças do país, os espaços das Universidades tenham acesso grátis à internet para que se diminua o nível de infoexcluídos;

12) Os prémios nacionais da cultura devem deixar de ser homologados pelos ministros, cabendo a decisão apenas aos corpos de jurados que, portanto, estarão imbuídos de inteira independência;

13) O Ministério da Cultura e só esse órgão deve gerir e construir as “mediatecas”, organizar as “festividades nacionais” (11 de Novembro, etc.), programas que têm sido executados por ministérios que até não têm esse domínio de saberes e funções no seu estatuto orgânico e funcional. A sua ligação programática com o Ministério da Educação e do Turismo para aumentar as redes de intervenção cultural;

14). O Ministério da Cultura deve manter a sua ligação programática com o Ministério da Educação (leitura obrigatória de literatura nacional) e do Turismo (animação musical dos hotéis) para aumentar as redes de intervenção cultural.

*Escritor, membro da União dos Escritores Angolanos. Na edição impressa número 115 do Vanguarda, disponível nas bancas, Adriano Botelho de Vasconcelos é apresentado como Historiador. Ao colunista e aos leitores, pelo lapso, nossas sinceras desculpas.