A nomofobia, a atenção e hiperactividade nos dias de hoje

O interesse em verificar o impacto da tecnologia no desenvolvimento de Angola, na competitividade dos partidos políticos e no comportamento dos seres humanos em geral, tem propiciado discussões políticas, académicas e corporativas relevantes.

26 Out 2019 / 15:34 H.
Edgar Leandro Avelino

O crescimento do uso do telemóvel em todo o mundo trouxe mudanças revolucionárias no modo como as pessoas interagem umas com as outras. Entretanto, são poucos os conhecimentos de como os indivíduos usam e os efeitos do uso demasiado desses aparelhos.

A nomofobia é um fenómeno que cresce e atinge todas as faixas etárias.

Em pouco mais de duas décadas, os smartphones tornaram-se os principais impulsionadores da vida das pessoas. Quando os smartphones perdem a ‘’vida’’, as pessoas ficam sem bateria: roubam cabos das mesas dos colegas de trabalho ou da escola, pedem carregadores de estranhos e ficam completamente descontroladas.

Tenho acompanhado os benefícios e vantagens que essa tecnologia pode proporcionar, sendo ainda poucos os que se propõem a analisar os impactos negativos da utilização em excesso do smartphone. Diante disso, cabe-me analisar o nível de nomofobia e as características comportamentais presentes em alguns internautas em relação à dependência do telemóvel.

O uso demasiado das ferramentas proporcionadas pelo smartphone foi evidenciado com maior frequência na utilização do WhatsApp e o uso das redes sociais.

O interesse em verificar o impacto da tecnologia no desenvolvimento de Angola, na competitividade dos partidos políticos e no comportamento dos seres humanos em geral, tem propiciado discussões políticas, académicas e corporativas relevantes. Alguns estudos sobre a utilização da tecnologia e a comodidade que ela traz para as pessoas já abordam, de forma mais específica, as consequências que as plataformas digitais podem provocar nos indivíduos nos mais variados contextos, ganhando espaço de discussão entre governos, organizações e sociedade civil.

Pensar em comunicação e marketing é pensar o contexto político, económico e social de diferentes épocas. Os meios e as mensagens são adaptados ao espírito de cada tempo e influenciam os comportamentos das pessoas. As diferentes formas de comunicação evoluem à medida dos avanços tecnológicos e reagem aos impactos que estes provocam na sociedade. O maior exemplo disso é a internet, que trouxe uma revolução sem precedentes à comunicação. O streaming mudou a forma como as pessoas consomem produtos audiovisuais. Os smartphones são mídia portátil e autênticas máquinas produtoras de conteúdos.

Nunca a comunicação foi tão fácil e tão abrangente. Com o início da Era da Informação, e a velocidade das tecnologias, a dinâmica da vida também alterou. As inovações não param de surgir desde então e uma nova forma de viver manifesta-se em meio a esse progresso. Acompanhado dessas transformações, a internet surge para proporcionar às pessoas mais informações, formações à distância e outras inúmeras funções.

De um lado, mídias e conteúdos variados e cada vez mais acesso à informação. Do outro, atenção reduzida, dificuldade de escuta, déficit de comunicação e mais confusão sobre a veracidade dos factos – como se comprova pela força de disseminação das fake news.

No cenário dinâmico das inovações tecnológicas, o smartphone trouxe mudanças revolucionárias na forma como as pessoas interagem umas com as outras, trazendo uma nova configuração social em que o mundo real e o mundo virtual muitas vezes se confundem e são vividos simultâneamente.

As mídias tradicionais, que são a minha paixão, mudaram e foram obrigadas a se reinventar. Com isso, houve uma descentralização da mídia e maior ocupação das marcas nas redes sociais, surgindo assim novas possibilidades de relacionamento com os consumidores baseando-se em parâmetros de troca e diálogo.

As pessoas estão cada vez menos dispostas a lerem grandes textos e preferem cada vez mais vídeos curtos nas redes sociais.

A utilização exagerada do smartphone passa a provocar nas pessoas alterações comportamentais, emocionais e sinais semelhantes aos apresentados pelos consumidores de drogas, o que demonstra, portanto, os efeitos nocivos que a dependência tecnológica pode causar.

É raro encontrar alguém que não tenha ou não carregue consigo um smartphone. A modernização do telefone, que passou a ser móvel (também conhecido por celular) em vez de fixo e em seguida transformaram-se nos smartphones, os quais permitem “ter o mundo às mãos”, parece dar a sensação de que não existe limites para as modernizações e evoluções deste aparelho.

Diante dessa nova forma de viver, é necessário ter consciência e cautela a essas facilidades, rapidez e comodidades que as inovações tecnológicas, mais especificamente os smartphones, proporcionam às pessoas. A utilização em excesso desses aparelhos pode causar, de forma inconsciente, certa dependência, dada a facilidade de comunicação, troca de informações, acesso à internet, conectividade, agilidade, entretenimento e outras coisas proporcionadas pelo seu uso.

*Manager - Profissional de Marketing Certificado - APPM