A integridade transmite-se por contágio

10 Jun 2019 / 17:19 H.
Jorge Ribeirinho Machado

O exemplo que as hierarquias dão é muito mais copiado do que o modo como se comportam os que estão mais abaixo.

Se o exemplo que vem do topo é saudável, é muito provável que o resto da organização se comporte de uma forma sã; mas se quem manda disser que a empresa tem um conjunto de valores tais como a honestidade, o trabalho bem feito ou o respeito pelos clientes, e depois exigirem dos seus empregados que enganem os fornecedores ou os clientes, ou se for preguiçoso e não fizer o que se comprometeu a fazer, então podemos estar seguros que, mais tarde ou mais cedo, a empresa fica doente. Nesse momento pode já ser tarde para travar a epidemia.

Pior do que falir, é uma empresa ficar infectada pela epidemia da corrupção. À medida que vai perdendo a confiança dos clientes e dos fornecedores, a empresa vai tendo cada vez piores fornecedores e clientes. Em paralelo, os bons empregados vão saindo para instituições mais saudáveis, ficando só aqueles que não conseguem encontrar trabalho noutro lado. A empresa continua a existir, mas sem conseguir cumprir a sua missão nem viver os seus valores: é um morto-vivo, uma “empresa-zombie”.

Numa empresa íntegra, pelo contrário, o comportamento dos colaboradores rege-se pelos seus valores, os bons colaboradores estão motivados, os fornecedores querem trabalhar com esta empresa e os clientes são leais. No longo prazo, a probabilidade de ser uma empresa grande e lucrativa e rodeada de outras empresas íntegras é muito elevada.

A empresa íntegra tem de continuar a defender os seus princípios ao longo do tempo, mas vai ajudando outras a também serem íntegras. Tal como uma (boa) epidemia, a integridade transmite-se por contágio.