Número de refugiados atinge número recorde. ONU regista 70 milhões de deslocados

Por dia, não menos de 37 mil pessoas foram forçadas no ano passado a abandonar as suas casas devido a guerras, conflitos e perseguições.

Europa /
19 Jun 2019 / 16:16 H.

O número de pessoas que são forçadas a deixar as suas casas em razão de guerras, conflitos e perseguições no mundo chegou a um novo recorde em 2018.

Segundo os números da ONU, já são 70,8 milhões, o maior índice de deslocamento forçado registado em quase 70 anos pelo Alto Comissariado para os Refugiados. No ano passado, eram 68,5 milhões de pessoas.

O Dia Mundial do Refugiado vai ser celebrado na quinta-feira, 20 de junho.

Cerca de 41,3 milhões são os deslocados internos – pessoas que abandonaram os seus lares, mas continuam no país. Outros 25,9 milhões são refugiados, e 3,5 milhões são solicitantes de abrigo.

O relatório deste ano confirma uma tendência de crescimento dos deslocados, com destaque para a Venezuela como novo factor de deslocamento forçado no mundo. Porém, a Síria é o país campeão no número de refugiados: 6,7 milhões.

Segundo o estudo, mais de dois terços de todos os refugiados no mundo (67%) vêm de apenas cinco países: Síria, Afeganistão, Sudão do Sul, Mianmar e Somália. E quatro a cada cinco refugiados estão nessa situação há pelo menos cinco anos.

A Etiópia tem contribui para a estatística com um milhão de refugiados, dos quais 98% são deslocados internos, segundo a agência humanitária internacional.

As crianças são uma parte significativa do total dos refugiados, perfazendo mais de 111 mil. Muitas viajam sozinhas e assim permanecem nos campos de refugiados e de deslocados internos.

Os países em desenvolvimento continuam a ser os que mais acolhem refugiados com, em média, 5,8 pessoas por cada mil habitantes. Já os países desenvolvidos acolhem 2,7 refugiados nesta mesma proporção.

Em Portugal, o pedido a asilo aumentou 170% em quatro anos, salientando que passaram de 442 em 2014 para 1.190 em 2018, o que teve um “impacto tremendo” em termos de acolhimento.

Entre as novas solicitações de refúgio, os Estados Unidos foram o destino mais procurado em 2018, com 254.300 pedidos, embora o índice seja menor do que em 2017 (331.700), quando o país também liderou o ranking.

A maior parte das demandas aos EUA vem de El Salvador, com 33.400 solicitações, seguido de Guatemala, Venezuela, Honduras e México. Os pedidos da América Central e do México respondem por 54% das solicitações de refúgio ao país liderado por Donald Trump, que acaba de anunciar um corte de centenas de milhões de dólares em ajuda financeira à região.