Navio da JP Morgan tinha 18 toneladas de cocaína a bordo. Banco não explica descoberta polémica

A droga avaliada em mil milhões de dólares foi encontrada no MSC Gayane no início da semana. A JP Morgan não se pronunciou até ao momento sobre este acontecimento.

Porto /
11 Jul 2019 / 17:29 H.

Os oficiais da alfândega nos Estados Unidos descobriram 18 toneladas de cocaína dentro de um navio porta-contentores, cujo proprietário é a entidade bancária JP Morgan, segundo conta o “Market Insider” esta quinta-feira.

A droga avaliada em mil milhões de dólares (cerca de 900 milhões de euros) foi encontrada no navio da MSC Gayane, que trazia uma bandeira da Libéria, encontra-se agora ancorado junto ao porto de Filadélfia. As autoridades norte-americanas prenderam oito membros da tripulação com origens na Sérvia e Samoa.

De acordo com o “Market Insider” a JPMorgan tem um acordo que coloca o MSC Gayane como responsável pelo navio, já que as operações e o seu lucro não ficam ligadas à actividade do banco ou da gestora, que até ao momento não se pronunciou publicamente sobre este assunto.

As 18 toneladas de cocaína encontradas a bordo do MSC Gayane equivalem aproximadamente ao mesmo peso de três elefantes africanos e superam a quantidade total de cocaína que passou pela África Ocidental em 2013, e toda a cocaína apreendida em continente africano entre 2013 e 2016, de acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC na sigla inglesa).

A grande quantidade apreendida poderá reflectir um excesso de oferta, dado que a produção global de cocaína aumentou em um quarto em 2016, para 1.410 toneladas, de acordo com o relatório mundial sobre drogas de 2018. A Colômbia continua a ser o principal produtor de cocaína, tendo o cultivo desta planta aumentado 17% para 171 mil hectares em 2017, segundo o UNODC.

Contudo, a ligação entre o MSC Gayane e o JPMorgan é talvez o factor mais surpreendente desta apreensão de droga, dado que o navio é operado pela Mediterranean Shipping com sede na Suíça, sendo que a JPMorgan ajudou a financiar a compra do barco pela MSC.

As duas entidades terão estruturado a compra de modo a que o barco fosse de propriedade de activos de clientes de um fundo de estratégia de transporte executado pela equipa de gestão de activos da JPMorgan. A proporção de apreensões de cocaína em África representada pela África Ocidental aumentou para 78% em 2016, “reflectindo a crescente importância da África Ocidental como área de trânsito”, indica o relatório do UNODC.

No entanto, o “Market Insider” aponta para a pouca existência de tráfico de droga entre a África Ocidental e os Estados Unidos, fazendo com que a apreensão do MSC Gayane seja muito incomum. O aumento do preço nas ruas e o menor risco dos traficantes serem presos, tornaram a Europa “um mercado mais lucrativo e atraente do que os Estados Unidos”, afirmou o traficante de drogas nigeriano Chigbo Umeh ao jornal “The Guardian” em 2015.

A apreensão de drogas numa embarcação com a bandeira da Libéria foi a mais recente de uma série de grandes apreensões ligadas a países da África Ocidental em 2019.

Em maio de 2018, as autoridades argelinas apreenderam mais de 1.500 quilos de cocaína num navio identificado como sendo da Libéria, que transportava carne congelada do Brasil, segundo a “BBC”. Em fevereiro deste ano, as autoridades de Cabo Verde encontraram 21 quilos de cocaína, com um valor de mercado de 620 milhões de euros, numa embarcação com a bandeira do Panamá.

Um mês depois, autoridades da Guiné-Bissau registaram a sua maior apreensão de cocaína e a primeira do país na última década, quando descobriram quase 800 quilos de droga escondida no fundo falso de um camião carregado de peixe.