Kizua Gourgel: “Ainda tenho em mim a trova, mas, não me posso considerar simplesmente um trovador”

Angola /
17 Jul 2019 / 12:53 H.

Quais as novidades para o concerto no Instituto Cultural Português, Camões?

O concerto no Camões vai ser à voz e à violão. Vou interpretar clássicos da música angolana, africana e internacional. Daí, o show ser intitulado “Clássicos”.

A ideia deriva da vertente de bar que tenho, que me leva a interpretar músicas do mundo.

Tem estado ausente do mercado discográfico, mas não dos concertos. Como faz esta gestão?

Sou essencialmente um músico de palco. Mas, naturalmente que também ambiciono gravar. De momento, estou em estúdio a trabalhar num novo disco. Mas, já no próximo dia 25 de Julho, lanço o disco Kizuísmo que por problemas com as editoras, até então, ainda não havia sido lançado. Este disco “Kizuísmo encerra um capítulo que começou com o single promocional “Tetembwa”.

Porque só agora decidiu lançar o tão esperado álbum “Kizuísmo?

Como disse, antes, houve problemas com as editoras que ficaram de lançar. Não dependia só de mim. Depois de um acordo, o master foi-me entregue há pouco tempo. Então, decidimos lançar em formato digital.

Do que é feito este álbum? Qual o estilo predominante?

Sou um músico multiestilístico. E isso se reflecte nos meus álbuns. É impossível definir um estilo nos meus álbuns.

Que participações traz?

As participações já são conhecidas. Yola Semedo no tema “Depois do fim” e TC (Tó Cruz) no tema “Não aguento +”.

Hoje por hoje, é possível dissociar o seu sucesso musical do legado deixado pelos seus pais?

Já, felizmente! Durante algum tempo, foi complicado. Mas, hoje, já não.

Considera que tais influências potenciaram a sua ascensão ou foi o culminar do seu talento aliado aos anos de trabalho?

Naturalmente, potenciaram no início. E foi, nessa altura, que era difícil me dissociar do legado deles. Mas, hoje em dia, o meu trabalho é a minha maior referência.

Quais os cuidados que tem com a sua voz?

Os cuidados normais de um profissional da voz. Descansar antes e depois de actuar, evitar bebidas frescas, antes de e depois de cantar, e fazer aquecimentos antes de cantar. É importante cantar todos os dias, mesmo que não haja show. É como se fizesse alongamentos, comparando com um atleta.

É um herdeiro da trova, como avalia esta vertente musical actualmente?

A trova como estilo musical está practicamente extinta. Pois, não é só uma forma de se apresentar, mas sim um estilo musical. Apesar de haver vários artistas a se apresentarem no formato de trova, quase ninguém, incluindo eu, faz mais trova. Eu ainda tenho em mim a trova, mas não me posso considerar simplesmente um trovador.

E as composições em geral?

As composições têm evoluído bastante. Vemos artistas com maior domínio harmónico e nota-se um aprofundar da complexidade harmónica nas composições.

Com que artistas mais se identifica e quais considera referência para a sua arte?

Em Angola, as minhas grandes referências são : André e Rui Mingas, Mukenga, Totó, Grabriel Tchiema e Toty Sá Med. Internacionalmente, desde Elton John, Queen, Bruno Mars, Earl Klurg, Bob Marley e vários outros...

O que tem a dizer sobre a fuga de músicos para estilos mais emergentes em busca de fama?

Cada um sabe de si... Não condeno, mas isso eu nunca faria. Embora seja normal a mutação estilística nos artistas. Mas, uma coisa é explorar outros estilos e outra é fazer “o que está a bater” para alcançar sucesso. Acho isso triste... Mas, como já disse: cada um sabe de si..!

E quanto as insistentes actuações em playback?

O playback há muito que não é aceite no mundo afora... só que não só, é mais barato, mais fácil e permite que o artista se esconda por trás de uma gravação. Mas, o público já começa a entender a diferença. Mesmo assim, muitos artistas insistem em fazê-lo. Se até os rappers mais conhecidos do mundo se negam a fazer playback, porque alguns dos nossos insistem..? O playback é uma farsa!