A artista angolana é uma das 33 artistas seleccionadas para a 8ª edição da N´GOLA – Bienal de Arte e Cultura de São Tomé e Príncipe, que teve início no passado dia 26 de Julho e vai até ao dia 18 de Agosto 2019.

12 Ago 2019 / 16:49 H.

Keyezua expõe na Bienal de Arte e Cultura de São Tomé e Príncipe

N'GOLA celebra o poder e a beleza das artes e cultura africanas e a forma como os artistas e designers africanos contribuem para o futuro. A Biennal apresenta uma geração autoconfiante de artistas africanos que agora estão a transformar de forma célere a sua cultura e sociedade, e este ano, além de Angola, conta com artistas do Togo, República Democrática do Congo, Uganda, Ruanda, Quénia, Níger, Costa do Marfim, África do Sul, Senegal, Camarões, Benim, Nigéria e São Tomé e Príncipe.

Na biennal, a artista apresenta a série FORTIA, com imagens que transformam a maneira como olhamos e pensamos sobre a incapacidade e como a ela pode ser exibida de forma a capacitar grupos vulneráveis, utilizando a arte como forma de manifestar a dignidade humana. Este projecto é baseado em experiências individuais que exploram a tristeza, perda e sobrevivência.

Cada máscara representa a passagem no tempo – eles não têm olhos, nariz, boca ou ouvidos, dando a ideia de como não é ter um corpo pleno. O design das máscaras contém padrões de desenhos tribais que são usados como linguagem - motivos, formas e cores que revelam em cada máscara a identidade de Keyezua como angolana.

O uso predominante de um vestido vermelho num corpo feminino, romantiza a existência de deficiência e convida os espectadores a visualizar a forma como a sociedade retrata a deficiência física ou emocionalmente, nas artes. FORTIA, que em latim significa “força”, foi criada em homenagem aos últimos dias do pai de KEYEZUA, como um homem deficiente.

No mês de Setembro a artista vai estar em Montreal (Canada), para participar da 16ª edição da MOMENTA – Biennal da Imagem, que este ano terá como tema “The Life of Things”. Ao todo foram seleccionados 39 artistas de 20 países que vão apresentar obras em 13 exposições entre 5 de Setembro até 13 de Outubro de 2019. Este ano a Biennal trará para discussão os paradoxos através de obras cuja poesia e entrada crítica agitam os horizontes e compõem novas perspectivas sobre o nosso relacionamento com os objectos. A Biennal traz universos que são construídos entre indivíduos e o seu ambiente, destacando as transferências que acontecem entre o sujeito e o objecto.

Keyezua é uma artista que explora o renascentismo africano como um contador de histórias contemporâneo. A sua arte transforma-se em histórias individuais, retratadas em filmes, pinturas, poemas e esculturas, em que usa técnicas de fotografia para se expressar através da imagem. Keyezua, acredita que um artista africano só pode quebrar a epidemia do estigma e preconceito sobre África, quando ele(a) quebra o silêncio na arte africana e expande as suas histórias indígenas com uma nova visão de África. Com esse pensamento, a artista retracta as suas histórias para o mundo.