Poder nas autarquias

    22 Jun 2019 / 16:34 H.

    Há sensivelmente sete meses afirmamos neste espaço que um partido existe para governar e exercer o poder de uma forma transformacional e de preferência com uma ideologia assente em valores democráticos, seja do centro a esquerda ou do centro a direita evitando cair nos extremos.

    Aquando de manifestações na cidade de Benguela, exigindo a demissão do governador Rui Falcão, dissemos o mesmo. Ora, quem elegeu os políticos que estão no Parlamento é o Povo. O mesmo Povo que vai exigir mais dos governantes na gestão autárquica.

    Os grandes desafios do País sob gestão de governantes, ao nível autárquico, se colocam no âmbito deste cenários políticos-governativos. O Povo que vai eleger os autarcas vai exigir um novo contrato social. Para tal, a descentralização é crucial, para dar poder às comunidades para gestão próxima de quem é governado.

    Repetimos inúmeras vezes que é dessa forma que se vai evitar a conotação de um partido de ricos e que governa para ricos – infelizmente o MPLA permitiu a existência de situações adversas para que fosse encarado como tal pelo Povo.

    Há reformas em curso e, perante tal realidade, é urgente colocar no centro da governação política a acção social, aliás a criação de um ministro de Estado para a Área Social, aguarda-se pela nomeação, traduz esta certeza.

    Há antigos militares que aguardam por reintegração social, a desintegração familiar continua a ser um problema, todos os dias apuram-se casos concretos, resultando em meninos na rua, seja nas capitais de província, seja em sede de municípios. As autarquias têm de trazer soluções aos problemas sociais.

    O partido que está no centro da vida colectiva dos angolanos deve liderar estas reformas de uma forma implacável, até por que há sinais de vontade política a julgar pelas conclusões do seu recém realizado congresso extraordinário. O momento presente impõe medidas de reconstrução que devem atender especificamente à resolução dos problemas sociais mais emergentes.

    Todos actores políticos, no partido que governa e nos partidos da oposição, estão concentrados na montagem e redefinição de estratégias voltadas para às autarquias.

    Que seja para resolverem os reais problemas sociais que afligem, até a exaustão, às populações mais vulnerais, por que ainda não há informação oficial sobre a redução de oito milhões de angolanos na pobreza extrema, indicador até Dezembro passado, cada um a viver com menos de dois dólares por dia, e quais as soluções para a reintegração de mais de 100 mil ex militares, cada um, provavelmente, com agregado familiar que pode chegar aos cinco membros.

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