“MPLA e os novos desafios”

Participaram 2.448 delegados, dos 2.560 previstos, oriundos de todo o país e do estrangeiro, sendo que 777 são mulheres, diz o comunicado do MPLA chegado à nossa redacção. Não se referindo, em momento algum, aos inúmeros constrangimentos que os jornalistas sentem na cobertura dos grandes eventos do maior partido angolano, não só pelo acesso restrito, ou mesmo interdito, à sala onde decorreram os trabalhos, bem como à ausência de condições técnicas para executarem o seu trabalho.

Angola /
18 Jun 2019 / 17:13 H.

“Realizou-se aos 15 dias do mês de Junho de 2019, no Centro de Conferências de Belas em Luanda, o VII Congresso Extraordinário do MPLA. O magno evento foi dirigido pelo Presidente do MPLA, o Camarada João Manuel Gonçalves Lourenço”, começa o comunicado. Para acrescentar: “Participaram no VII Congresso Extraordinário 2.448 delegados, dos 2.560 previstos, em representação de todos os militantes do MPLA, oriundos de todo o país e do estrangeiro, o que correspondeu a 95,2%, sendo 777 do sexo feminino, equivalente a 31,74%.”

No ponto dois, podemos ler: “Prestigiaram e honraram o evento com a sua presença, na qualidade de convidados, titulares e membros do Executivo angolano, representantes do Corpo Diplomático acreditado em Angola, entidades eclesiásticas, autoridades tradicionais, bem como outros convidados nacionais e estrangeiros”. O ponto quatro dá-nos a ordem dos trabalhos: “1. Ajustamentos Pontuais aos Estatutos do MPLA; 2. Processo Eleitoral de Alargamento do CC do MPLA; 3. O Tema: “MPLA e os Desafios do Futuro”: a) Processo Autárquico; 4. Aprovação dos Documentos Finais: a) Resolução Geral do VII Congresso Extraordinário; b) Moções”.

O ponto seis faz a síntese dos trabalhos: “O discurso de abertura do VII Congresso Extraordinário foi proferido pelo Camarada João Manuel Gonçalves Lourenço, Presidente do MPLA, que, para além de caracterizar o momento dinâmico e particular que o Partido está a viver, traçou as linhas de acção para os novos tempos, reiterando a necessidade de tudo fazer-se para o MPLA constituir-se num forte instrumento de acção política de apoio e de suporte às transformações políticas, económicas e sociais que devem ocorrer em Angola. Neste sentido, baixou orientações concretas que deverão ser de cumprimento rigoroso para todos os órgãos e organismos intermédios e nacionais do MPLA, elevando assim a qualidade da vida interna do Partido, vocacionando-o para enfrentar com maior fulgor os desafios do futuro, onde se priorizam as Eleições Autárquicas, que se realizarão no ano de 2020. A respeito da necessidade da realização deste congresso e sobre o objectivo principal do mesmo, o Camarada Presidente realçou que “... é, sobretudo, o de alargar a composição do Comité Central, de forma a torná-lo mais consentâneo com a actual conjuntura de moralização da nossa sociedade, de combate à corrupção e à impunidade, de maior abertura democrática, com reais ganhos no que diz respeito à liberdade de imprensa, de pensamento, de expressão e de manifestação”. No que concerne à materialização do lema principal do MPLA, “melhorar o que está bem, corrigir o que está mal”, o Camarada Presidente referiu: “... uma coisa é dizer, é a manifestação de uma intenção, outra coisa é ter a verticalidade moral, a coragem de o fazer realmente, sem ceder a pressões, chantagem ou, mesmo, ameaças”. Por outro lado, referindo-se à importância da realização deste congresso extraordinário, o líder do Partido sublinhou: “Este congresso, embora extraordinário, passará para a história como aquele que melhor cumpriu com a responsabilidade de garantir pelo menos 40% do género nos órgãos de Direcção do Partido, tendo mesmo ultrapassado, aquele que mais rejuvenesceu a sua Direcção, aquele que, em termos de escolaridade, elegeu para o Comité Central mais membros com formação superior”.

Ainda a este propósito, referiu: “Este mesmo congresso é ainda o que definiu a necessidade imperativa do fomento da produção interna e das exportações, o fomento do emprego, o resgate da vida dos municípios e a ambição de conquistar a esmagadora maioria das câmaras municipais, no quadro das eleições autárquicas, como os novos desafios do MPLA, deste meio-termo de mandato que nos resta até às Eleições Gerais”.

E prossegue-se no ponto oito e nove: “No quadro da transição política em curso no seio do MPLA, os delegados ao VII Congresso Extraordinário em plena concordância com a visão do líder, assumiram o compromisso de honra de apoiar sem reservas o Camarada Presidente do MPLA, João Manuel Gonçalves Lourenço, engajando-se na materialização e cumprimento das orientações superiormente emanadas.

Neste contexto, o processo de resgate da pureza do Partido, que tem vindo a ser conduzido intensamente pelo líder do MPLA, o Camarada João Manuel Gonçalves Lourenço, numa acção sem precedentes, foi firme e inquestionavelmente apoiado pelos delegados ao congresso, numa demonstração clara que o MPLA e os seus militantes estão decididos a romper com as atitudes negativas do passado, promovendo a prática de defesa dos valores da urbanidade, probidade, solidariedade e responsabilidade, lutando sem reservas contra a corrupção, o nepotismo, a impunidade e a bajulação”; “os delegados ao VII Congresso Extraordinário apoiam os esforços do Camarada Presidente, que visam a melhoria do ambiente de negócios que possibilitem a transformação da estrutura económica nacional, assente no sector privado, em particular, as micro, pequenas e médias empresas, garantindo a diversificação da economia”.

O ponto 10 dá-nos conta de que: O VII Congresso Extraordinário elegeu 134 novos membros, concretizando-se, assim, o alargamento do Comité Central, de 363 para 497 membros, observando-se o processo de transição geracional, que responde às expectativas de rejuvenescimento da estrutura central do Partido, adequando o mesmo às novas exigências e realidade do momento político que o País está a viver, o que dotará o Partido de potencial humano, capaz de contribuir efectivamente para que se atinjam os objectivos preconizados no Programa Eleitoral 2017/2022.

Dos 134 novos membros eleitos para o Comité Central, 42% são do género feminino, 61% jovens com idades até 45 anos e 93% com nível superior de escolaridade. O alargamento fundamentou-se, não só no aumento significativo de militantes nos órgãos colegiais de direcção do Partido, mas, também, pretendeu agregar valor intelectual e de actividade prática, de modo a secundarem convenientemente o Presidente do Partido na implementação do Programa, Estatutos do MPLA e, fundamentalmente, do Programa de Governo, sufragado pelos angolanos, de Cabinda ao Cunene, a 23 de Agosto de 2017.”

No ponto 12: “Os delegados ao VII Congresso Extraordinário congratulam-se com o comportamento e atitude firme e vigorosa dos militantes, simpatizantes e amigos do MPLA, unidos em torno dos objectivos do congresso, tendo em vista a aplicação das decisões do magno evento e no reforço da coesão interna, visando os desafios do presente e do futuro.

O Congresso reafirmou, por um lado, o sentido de unidade, coesão e estabilidade interna no seio dos órgãos e organismos de Direcção do Partido e, por outro, acredita que estão criadas as condições para que o MPLA mantenha os seus níveis de realização e mobilização em todos os segmentos e esferas da sociedade, com um elevado índice de motivação política”