Ferro Rodrigues destaca o papel de Agostinho Neto na luta comum pela liberdade

O presidente do parlamento português sublinhou hoje, em Luanda, o papel "fundamental" de António Agostinho Neto, não só na luta pela independência de Angola, mas também no combate ao regime salazarista.

Angola /
06 Jul 2019 / 21:16 H.

O presidente da Assembleia da República de Portugal, Eduardo Ferro Rodrigues, terminou parte oficial da visita de dois dias a Angola, onde participará, ainda, na abertura da IX AP-CPLP (Assembleia Parlamentar), que decorre em Luanda, durante a próxima semana, e terá, ainda que sem confirmação, uma audiência com o Presidente da República, João Lourenço, falou aos jornalistas, esta manhã, no final de visitas, primeiro, ao Memorial António Agostinho Neto e, depois, ao Museu da História Militar de Angola.

"Convém não esquecer que Agostinho Neto teve um papel fundamental não apenas na libertação de Angola, mas também no 25 de Abril de 1974, e a quem, de certa maneira, também devemos a nossa liberdade e a nossa democracia", afirmou Eduardo Ferro Rodrigues.

Além da visita oficial, há uma particularidade no plano pessoal que Ferro Rodrigues tem referido, e que até o presidente da Assembleia Nacional aludiu, que é o facto de o pai do actual presidente da Assembleia da República e destacado dirigente do Partido Socialista, de que foi secretário-geral, ser filho de um homem que nasceu em Luanda.

Ferro Rodrigues lamentou desconhecer o bairro de Luanda onde o pai nasceu, em 1924, para o poder visitar, indicando que as autoridades angolanas lhe prometeram confirmar o local em que foi baptizado junto das principais igrejas que então existiam na capital angolana.


"A única coisa que tenho pena é de não ter conseguido em Lisboa saber exactamente qual o bairro em que o meu pai nasceu em 1924. Sei que é muito difícil, mas sei que foi baptizado aqui numa das principais igrejas da capital e já me prometeram que iam tentar ver nos assentos de baptismo se aparece esse documento", concluiu.


Questionado pela agência Lusa sobre o que ficou definido nas conversações oficiais mantidas na sexta-feira com a contraparte angolana, liderada pelo presidente da Assembleia Nacional de Angola, Fernando da Piedade Dias dos Santos ("Nandó"), Ferro Rodrigues destacou o reforço da cooperação política bilateral.


"O que é fundamental é que, na reunião entre as duas delegações parlamentares, chegou-se à conclusão que, mais importante do que aumentar a componente técnica do protocolo [de cooperação] entre o parlamento português e angolano, é passar a uma componente política", explicou.


"Tem de haver um conjunto de acções de natureza mais política que una mais vezes os deputados de ambos os países. É muito importante porque é um salto quantitativo muito grande na cooperação entre os dois parlamentos", acrescentou.


"Espero ser recebido pelo Presidente de Angola [prevê-se que regresse no domingo a Luanda], mas espero ser recebido na segunda-feira e, depois [terça-feira], temos a cimeira da CPLP [a IX Assembleia Parlamentar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] em que estarei cá no primeiro dia, no ato de abertura", afirmou.


A assembleia parlamentar da CPLP, que decorre de terça a quinta-feira em Luanda, é, aliás, a segunda parte da visita de Ferro Rodrigues a Luanda, estando igualmente previsto que, na segunda-feira, o presidente do parlamento português se reúna com o governador Provincial de Luanda, Sérgio Luther Rescova Joaquim.


Manifestando-se "impressionado" com o Museu de História Militar de Angola, Ferro Rodrigues salientou a importância do local, em plena Fortaleza de São Miguel, "que tem uma vista extraordinária” para a “cidade linda que é Luanda".


"Também pudemos observar a evolução de Angola, desde o momento em que cá chegou Diogo Cão, à reconquista, por Salvador Correia de Sá, aquando da ocupação holandesa, até aos momentos actuais e até a uma participação, neste museu, das três forças que tiveram a responsabilidade de, muitas vezes, em oposição umas às outras, combaterem o colonialismo, o MPLA, FNLA [Frente Nacional para a Libertação de Angola] e UNITA [União Nacional para a Independência Total de Angola]" referiu.


"Este é um museu que exprime uma verdade histórica objectiva e que, de certa maneira, é uma homenagem histórica a Portugal, com tudo o que teve de bom, a participação portuguesa na construção destas terras, e com tudo o que teve de mau", acrescentou.