Desvalorização do yuan pode causar fuga de capitais da China

O Banco Popular da China (PBOC) baixou meio ponto base o yuan, a divisa chinesa, face ao dólar, o que poderá desencadear uma fuga de capital do país e um terremoto nos mercados globais – como já sucedeu em 2015 e 2016.

China /
05 Ago 2019 / 16:32 H.

As abruptas desvalorizações do yuan (e o consequente fortalecimento do dólar) foram seguidas por significativas saídas de capitais da China, quedas acentuadas nos mercados mobiliários e uma desaceleração no motor de crescimento da economia mundial (a China contribui mais para crescimento global do PIB que todas as economias da OCDE juntas).

A queda da moeda chinesa ocorre apenas quatro dias depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado novas tarifas de mais 10% sobre os produtos da China. Hao Zhou, analista do Commerzbank, citado pelo jornal espanhol Él Economista’, resume o contexto de forma simples: “está a chegar um tsunami“.

O analista diz em numa nota aos clientes do banco que “a taxa de câmbio do dólar em relação ao yuan quebrou a barreira psicológica crítica de 7 yuans ao dólar, um sinal claro de que a China tem pouca intenção de defender essa área contra as crescentes tensões da guerra comercial”.

Embora a China possua vastas reservas cambiais (3,2 trilhões de dólares), o banco central estará tomando medidas cautelares antes de começar a ‘queimar’ dólares para continuar a defender a taxa de câmbio.

Entretanto, a alternativa é a China conseguir gerir a desvalorização de forma controlada e que, no final da forte turbulência, tudo regresse ao normal – como ocorreu em 2015 e 2016. Este cenário representaria uma severa correcção nos mercados, mas não determinaria o começo de uma recessão global.