Brexit: apesar da Irlanda, Juncker faz renascer a esperança

O presidente da Comissão vê “progresso” no plano de Boris Johnson para o Brexit, nomeadamente no que tem a ver coma Irlanda. Desgraçadamente, a Irlanda não vê progresso nenhum.

03 Out 2019 / 10:01 H.

As próximas 24 horas mostrarão se Boris Johnson pode realmente chegar a um acordo com a União Europeia sobre o Brexit que possa evitar uma saída sem acordo do Reino Unido em 31 de outubro. O primeiro-ministro confirmou que tem os detalhes da proposta para a Irlanda do Norte e que os enviou para Bruxelas e para todas as capitais da União, sendo que “sob nenhuma circunstância” permitirá controlos “na fronteira da Irlanda do Norte ou perto dela”.

O ainda presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse, após uma conversa telefónica com Johnson, que o plano contém “progressos positivos em direcção a um acordo”, mas alertou que “ainda existem pontos problemáticos que precisam de ser esclarecidos nos próximos dias”. Bruxelas duvida que o plano garanta que não haverá uma fronteira difícil entre as Irlandas após o Brexit.

De acordo com a nova abordagem, a Irlanda do Norte, província do Reino Unido, passará por um regime duplo. Deixará, juntamente com o resto do país, o espaço aduaneiro da união, devendo ser estabelecidos controlos em ambos os lados da fronteira com a Irlanda. Mas, ao mesmo tempo, permanecerá alinhado por um período de quatro anos, após o período de transição, com as regras do mercado interno, ou seja, pelo menos até 2025.

A partir daí, será a própria Assembleia da Irlanda do Norte que decidirá se permanecerá nessa situação ou entrará em operação com o mesmo regime que o resto do Reino Unido. “Receio que, depois de três anos e meio, os cidadãos comecem a acreditar que estão a ser levados como tolos. Eles começam a suspeitar que existem forças neste país que simplesmente não querem o Brexit. E se as suas suspeitas fossem confirmadas, acho que haveria sérias consequências sobre o grau de confiança nas nossas instituições democráticas”, disse Johnson.

Johnson defendeu sua proposta para a Irlanda do Norte como um conjunto de “medidas técnicas, construtivas e razoáveis ​​em torno da natureza do que os controlos aduaneiros deveriam ser”, e que a União não deveria ter problemas em negociar. “A alternativa é que não há acordo. Não é o que queremos, mas estamos preparados para essa possibilidade”, disse.

Desgraçadamente, o governo irlandês reagiu imediatamente para qualificar como “inaceitável” o plano adaptado, que cortam as regras do mercado interno. O jogo está, por isso, neste momento, do lado da União Europeia.