Angola precisa desesperadamente de mais exploração de petróleo - Câmara de Energia Africana

O novo director da Câmara de Energia Africana em Angola, Sergio Pugliese, defendeu hoje que o país “precisa desesperadamente” de mais exploração de petróleo, incluindo nos poços marginais, para compensar o declínio dos poços mais antigos.

14 Mai 2019 / 09:42 H.

O novo director da Câmara de Energia Africana em Angola, Sergio Pugliese, defendeu hoje que o país “precisa desesperadamente” de mais exploração de petróleo, incluindo nos poços marginais, para compensar o declínio dos poços mais antigos.

“Angola precisa desesperadamente de mais exploração, incluindo nos poços marginais, para compensar o declínio da produção petrolífera, o que já está a ser tratado pelo Governo ao instituir um comité técnico com representantes das companhias internacionais para debater os maiores entraves ao investimento no setor”, disse Sergio Pugliese em declarações citadas num comunicado da Câmara de Energia Africana.

“Os investimentos no desenvolvimento de conteúdo local precisam de ser canalizados e apoiados por uma regulamentação forte. Há uma necessidade clara de tornar o conteúdo local mais eficiente e competitivo”, avisou o empresário, que já trabalhou nas petrolíferas Statiol e BP, acrescentando que “o decreto presidencial sobre o conteúdo local deve ser divulgado para consulta pública este mês”.

Para Sergio Pugliese, os principais desafios na implementação das leis que determinam a utilização de empresas nacionais, uma prática comum nos países africanos exploradores de petróleo, são a ausência de capacidades técnicas, financeiras e tecnológicas, “o que leva a que o conteúdo local seja relegado para uma baixa remuneração e para empregos desqualificados que, a longo prazo, não ajudam a desenvolver as capacidades de que o país precisa para gerir a indústria petrolífera sem necessidade de capital ou mão-de-obra estrangeira”.

Uma das maneiras de compensar isto, argumenta, é “expor as empresas locais às melhores práticas estrangeiras, seja a nível operacional, seja a nível da gestão”, e garantir que as companhias internacionais usam, de facto, as empresas locais.

“O ministro do Petróleo da Guiné Equatorial, Gabriel Obiang Lima, tem sido muito explícito neste ponto e vamos trabalhar com o sector petrolífero para garantir que isto acontece” em Angola, prometeu Pugliese.

Sobre o potencial do sector petrolífero e gasista nacional, o director da Câmara de Energia Africana em Angola considera que a criação de valor pode vir não só da exploração, mas também da distribuição e da refinação.

“A produção tem estado a decair há mais de uma década devido a falta de investimento, especialmente na exploração, mas essa tendência está a reverter-se, com várias promessas de investimentos dos operadores, mas, mais importante que isso, é que o resto da cadeia de valor está subexplorada”, o que permite um vasto leque de oportunidades de negócio, assinalou.

No comunicado de imprensa divulgado em forma de entrevista, Sergio Pugliese é questionado sobre quais os conselhos que daria a um investidor interessado em Angola, tendo defendido que é preciso “escolher cuidadosamente o parceiro local, porque os investidores tendem a pensar que com dinheiro e experiência suficientes conseguem o objectivo”.

Apesar de “operar em Angola acarretar alguns desafios, eles podem ser facilmente superados se o investidor trabalhar com as pessoas certas e se as companhias locais forem credíveis e eficientes, conhecerem o mercado e souberem como fazer as coisas acontecer”, concluiu.